Andarilhos virtuais...

9 de agosto de 2008

TEMPORAL




Sopram os ventos frios
nessa noite tempestuosa.
O mensageiro, Hermes,
trouxe boas lembranças.

Muita alegria, amor e afeto
são expressados em
poucas palavras e
a felicidade se esconde
sob a água transparente.

De repente, as nuvens
se tornaram mais escuras
e pesadas. O brilho ficou
opaco e a criatura solitária
busca refúgio na luz das estrelas.

A voz triste
é engolida numa prece
abafando o fragor da tempestade....


20 de julho de 2008

Trágico romance



Tela: Sir John William Waterhouse

O sussurro apaixonado
era ouvido e falado
por dois amantes
enamorados.

Cegos por esse sentimento
Se lamentavam a todo momento
do desejo proibido
que logo fariam julgamento.

Em vez de escolherem
a aurora vital,
optaram pelo crepúsculo
mortal.

Larissa Araújo

O romance dá início quando o outro passa a lhe pertencer inteiramente. Desde então, começamos por enganarmos a nós mesmos e, conseqüentemente, enganamos as pessoas mais próximas. Coisas que eram relativamente simples ganham novas inspirações. Até os sons longínquos dos ventos são capazes de nos comover.
A história de amor nasce quando dois corações batem em um só. As almas apaixonadas se embelezam de tanto afeto. No entanto, por trás de tudo aquilo que é encantador e mágico encontra-se sempre a odiosa tragédia.
A partir de tal revelação, dois jovens chamados de Píramo e Tisbe provam um amor jamais visto. Píramo era o mais belo rapaz e possuía um tímido sorriso – que brincava prazerosamente em seus lábios. Tisbe era a donzela mais linda de toda a Babilônia. Ambos sabiam que um dia a juventude iria desaparecer e com ela a sua beleza. Porém, nada disso aconteceu. O que houve, na verdade, foi à morte prematura.
Cada dia que passava era o mais próximo do terrível drama. Entretanto, eles não desistiam dos preciosos minutos que estavam juntos. Seus pais eram vizinhos e não aceitavam o namoro dos dois. Eles se comunicavam através de sinais ou trocavam olhares furtivos. Ninguém poderia saber desse romance e, por isso, ele se tornava mais intenso. Depois de alguns dias eles descobriram uma brecha na parede que separavam as duas casas. Essa pequena fenda permitia a passagem de suas vozes. Imagine só, quantas juras de amor passaram por essa fenda?
Quando a noite aproximava, os dois amantes apertavam bem forte os lábios contra a parede e, num suspiro, diziam adeus. Assim, era o agonizante amor de Píramo e Tisbe. Porém, eles decidiram se encontrar escondido no meio da noite. Tisbe cobriu a cabeça com um véu e fugiu cautelosamente de seus familiares. Chegando próximo do lugar combinado a ninfa avistou uma leoa e se escondeu atrás de uma gruta. Depois que o felino foi embora a donzela se dirigiu para o bosque e, por descuido, deixou o véu cair.
Atrasado, Píramo chega ao local e vê o véu de sua amada todo ensangüentado. Ele concluiu que Tisbe fora devorada por alguma fera. No auge do desespero, o jovem desembainhou sua espada e desferiu o próprio peito. Tisbe retorna ao local e, quando vê seu amado morto, resolve morrer junto com ele.

13 de julho de 2008

Irmãos siameses: Astros e a mitologia


Os personagens mitológicos não ocupam um lugar estático em nossa herança cultural. Pelo contrário, essas figuras possuem ferramentas poderosas para o conhecimento filosófico, cultural e até mesmo para nossas ânsias mais ocultas.
A mitologia teve tanta influência no mundo que até planetas como Mercúrio, Plutão, Vênus, Marte e dentre outros, receberam nomes de divindades gregas. Por isso que os areógrafos – estudiosos que pesquisam aspectos físicos dos planetas – usaram características externas das figuras mitológicas como inspiração.
Um exemplo é o planeta Marte. Ou seja, esse astro surpreendeu os povos primitivos devido a sua coloração avermelhada. Porém, na mitologia, Marte ou Ares (do grego Aro, matar) representa uma divindade guerreira, cujo símbolo é a união da lança e o escudo. Essa coloração avermelhada do planeta é produzida pelas enormes extensões de solo árido – desertos – que existem em sua superfície (MOURÃO, 1935).
Outra figura mitológica que inspirou os astrônomos foi à deusa Vênus ou Afrodite. Ela simboliza a beleza e o amor. De acordo com os mitos gregos, essa divindade nasceu das espumas do mar e sua representação, para as mentes primitivas, era um círculo e um traço reto. Porém, na Idade Média, o logotipo da deusa passou a ser designado por esse símbolo , que se assemelha a um espelho – instrumento típico utilizado por mulheres vaidosas.
Para os astrônomos, o planeta Vênus é o mais belo de todos os astros. Pois ele é muito luminoso e brilhante no céu, depois, é claro, do Sol e da Lua.
Em certas épocas do ano, Vênus começa a aparecer pela manhã. A partir de tal aparição, o astro é denominado pelo nome de Estrela Matutina ou Estrela D’Alva.
Ao observarmos esse planeta, notamos que Vênus se parece com uma meia-lua ou lua crescente. Segundo ao autor Ronaldo R. de Freitas Mourão, em seu livro de Ouro do Universo, “Vênus é o segundo planeta a partir do Sol, colocado entre Mercúrio e a Terra. Sua órbita é, portanto, inferior à do nosso planeta. Quando Vênus se coloca entre o Sol e a Terra, ela desponta com uma Lua em fase crescente. Mas, ao contrário, quando está do outro lado do sol, parece um pequeno disco muito iluminado ”.
Os principais obstáculos para os trabalhos astronômicos em investigar esse planeta são os excessos de nuvens em sua superfície e a grande proximidade que Vênus tem em relação ao Sol.
A pressão atmosférica desse planeta é totalmente desconhecida. No entanto, mesmo com todas essas dificuldades, os cientistas se interessam, cada vez mais, por esse fascinante planeta.

23 de junho de 2008

FOFOQUEIRAS NÃO, BEM INFORMADAS

Sentadas no banco da praça de uma cidade do interior, três vizinhas aproveitam o finalzinho de domingo para fofocar. Todos ali se conhecem. Porém, as pessoas mais devassas, namoradeiras e cachaceiros são as figuras que mais têm "fama" na pequena cidade.

As línguas afiadas das vizinhas não perdoam ninguém, nem mesmo o coitado do padre. Logo após o padre Pedro ter cumprimentado as três fofoqueiras, a primeira mulher deu um tapinha na perna da outra e começou a comentar:

- Sabe o padre Pedro? Pois é, eu ouvi falar que ele anda freqüentando a casa da Rosalinda.

- Ah, minha nossa senhora isso não pode ser verdade – afirma a segunda vizinha indignada.

- É, eu também ouvi essa conversa – diz a terceira mulher – e ainda me disseram que ele vai na casa dela toda terça e sexta-feira.

- Minha virgem Maria, mãe de Jesus, eu não quero acreditar numa história dessas – diz a segunda fofoqueira.

Rosalinda era a mulher mais mal falada da cidadezinha. Depois que o marido a abandonou ela nunca mais foi a mesma. Todas as noites ela enche a cara e volta para casa sempre acompanhada, só que cada dia com um homem diferente.

As fofoqueiras caíram na risada. No entanto, a terceira mulher, considerada a mais bem informada de toda a redondeza, parou de gargalhar, respirou fundo e disse:

- Me contaram outras coisas sobre essa mulherzinha. Pelo que sei, o prefeito vai na casa dela toda segunda e quinta-feira. E fica lá horas e horas. Já na quarta e no sábado é a vez do borracheiro. Eu acho que no domingo nenhum homem vai visitá-la. Afinal, ela precisa descansar pelo menos uma vez na semana.

A segunda fofoqueira, que fingiu o tempo todo de desentendida, resolveu participar da fofoca:

- Eu não queria falar, mas é que minha língua está coçando...

- Fala! Fala! Fala! – gritaram a primeira e a terceira mulher.

- Tudo bem, tudo bem eu vou falar. É que a Rosalinda teve um filho esses dias – afirma a segunda vizinha.

- Vixe. E quem é o pai? – perguntou a primeira fofoqueira.

- Ninguém sabe. O pior é que fizeram o exame de DNA do padre, do prefeito e do borracheiro, mas nenhum deles são os pais. Porém, o menino se parece com cada um dos três homens.

A terceira vizinha caiu na gaitada e disse:

- Ah, eu sei quem é o pai. É o Tiquim.

- TIQUIM? – perguntou a primeira mulher.

- Sim. TIQUIM de um, TIQUIM de outro...


(Edição especial sobre "Crônicas do cotidiano")


Dia errado

Na verdade o título deveria ser dia do azar. Não acredito em superstições. Porém, em plena segunda-feira, acordei com o pé esquerdo. Tudo deu errado. Eu ainda estava deitada e escutando um barulho distante. O som era de uma galinha desesperada que protegia seu ninho. Achei que era coisa do meu inconsciente ou, talvez, um sonho. Mas era a droga do meu despertador cacarejando no meu ouvido – devo confessar que esse despertador tem um som estranho mesmo. Meus olhos abriram e fecharam lentamente e, por alguns segundos, esqueci do mundo. Sonhei com algodão-doce, viagens, nuvens cor-de-rosa, deuses mitológicos, ninfas, duendes (que pareciam extraterrestres), unicórnios e até gato preto. Quando vi os olhos brilhantes do felino, quase caí da cama. Levantei num salto e fui rodopiando até o banheiro. Meu coração estava à mil por hora e parecia que a casa toda girava.
Puxa! Eu só tinha 13 minutos para me arrumar e não perder o ônibus. Vesti a roupa, não escovei os dentes e muito menos penteie os cabelos. Bom, depois de todo esse esforço consegui abrir o portão e, para minha infelicidade, assisti lá da rua todos os passageiros do ônibus de Nerópolis me mandando tchauzinho. Não queria acreditar, mas eu tinha acabado de perder o ônibus.
Então, já que o coletivo havia passado direto e o próximo só viria daqui meia-hora, fui em casa tirar a remela dos olhos. Nesse momento vários pensamentos ruins rondaram minha cabeça e até desejei o mal para o coitado do motorista. Me arrependi por ter pensado nisso, mas minha vó dizia que, quando sentimos culpa de algo, devemos bater na madeira. E foi exatamente isso que eu fiz – os povos primitivos pagãos também tinham esse costume. Ou seja, para eles as árvores eram a morada dos deuses e, quando alguém batia na madeira, era para invocar as divindades e pedi perdão.
Fui correndo lavar o rosto. E, quando olhei no espelho, minha blusa estava do lado do avesso. Durante alguns minutos de reflexão, senti um medo tremendo dessas superstições e crenças.
No entanto, eu não poderia perder mais tempo. Lavei o rosto e vesti a blusa do lado certo. Finalmente, consegui chegar no ponto de ônibus. Para variar, havia uma companhia não muita agradável naquele lugar. Educadamente, falei bom dia. Ele respondeu fazendo um gesto só com os olhos. Logo percebi que o homem estava bêbado.
- Era só o que me faltava – pensei.
Lá no setor todos chamam ele de Zoim. Então, ele desabafou:
- Sabe, hoje meu dia não começou muito bom.
Eu não estava com a mínima vontade de conversar com um bêbado. Mesmo assim, ele continuou a dialogar:
- Que horas são? É que meu relógio parou.
Vixe. Pensei: dizem que qualquer objeto que não tem mais utilidade e a pessoa continua fazendo uso dessa coisa dá azar.
- São sete e trinta e cinco – respondi.
O ônibus estava atrasado e eu não via a hora de me livrar daquele papo. Porém, Zoim falou decidido:
- A parti de hoje, eu não bebo mais.
Claro que eu fiquei com pena, pois todos que o conhecem sabem que ele é um alcoólatra e várias vezes seus familiares tentaram interná-lo. Entretanto, nada disso adiantou.
- Lá vem o ônibus – Zoim resmungou.
- Graças a Deus – pensei.
O coletivo estava entupido de tanta gente. Me senti como uma sardinha enlatada. Mas tudo bem. Pelo menos eu chegaria a tempo no trabalho. Detalhe: atrasei dez minutos. Por causa desses míseros minutos, o porteiro não me deixou entrar. Se ele soubesse a dificuldade que enfrentei, com certeza, ele sentiria pena. Claro que eu sabia dos quinze minutos de tolerância. Mas, segundo o porteiro, as regras da empresa mudaram. E, quase chorando, perguntei:
- O que vou fazer agora?
Então, o porteiro respondeu:
- Ué, você pode voltar amanhã.


(Edição especial sobre "Crônicas do cotidiano")


26 de maio de 2008

Aurora musical


Os deuses imortais
cantam alegremente.
Pássaros exaltam os sons
dos acordes celestiais.

Diversos seres
dançam suavemente
E todo universo se envolve
com o ritmo das notas musicais.

Larissa Araújo

Antes de mergulharmos na história mitológica da música, é importante ressaltar que vários pensadores gregos, como Pitágoras, construíram teorias mais convincentes do que qualquer outro povo da Antiguidade.
No século VI a.C, o grego Pitágoras imaginava que a música e a Matemática fornecia a chave mágica que poderia abrir o cadeado secreto do mundo.
Sua teoria era que diversos planetas e até mesmo o universo cantavam. Porém, cada um com tons harmônicos diferentes.
Pitágoras criou o monocórdio (corda única) para determinar, através da matemática, as relações dos sons.
No entanto, para a mitologia, a história da música começou com a morte dos Titãs. Ou seja, após a vitória dos deuses do Olimpo sobre Saturno, Oceano, Hipérion, Iapeto, Ofíon, Têmis, Mnemósine, Eurínome e Réia foi sugerido a Zeus que criasse deuses capazes de cantar divinamente a glória dos Olímpicos.
Então, Zeus apoderou-se da bela Mnemósine, deusa da memória, e teve com ela nove filhas. Nasceram, no devido tempo, as nove musas: Calíope (musa da poesia épica), Clio (da história), Euterpe (da poesia lírica), Melpômene (da tragédia), Tersícore (da dança e do canto), Érato (da poesia erótica), Polínia (da poesia sacro), Urânia (da astronomia) e Talio (da comédia).
As nove musas alegravam os festejos do Monte Parnaso, na Fócida, e cantavam com Apolo - deus da música.
Entretanto, existem vários deuses que também fazem parte da história da música como Museo, filho de Eumolpo, a lenda diz que quando o deus tocava ele consegui curar doenças. Outro músico de destaque é o deus Orfeu, filho da musa Calíope e Apolo, além de músico era cantor e poeta. Por fim, Anfíon era um magnífico poeta e músico - filho de Zeus e de Antíope - o deus construiu os muros de Tebas e, segundo as fábulas, quando as pedras ouviam o som da lira se moviam sozinhas.

25 de maio de 2008

O código de Hamurabi


Fonte
www.nonaarte.com.br


Saiba mais:

Quando em 2025 a.C. os amorreus invadiram a Mesopotâmia, fizeram de Babilônia a capital do reino. As obras de arte revelam que os amorreus eram fisicamente diferentes de seus antecessores. No período amorrita, armazenaram-se mitos antigos, velhas epopéias, textos medicinais e escritos astrológicos. Graças aos escribas, o mundo tem conhecimento de dicionários e legislação da­quele glorioso período.

Evidente personagem da Antigüidade, Hamu­rabi (Khamu-Rabi – sécs. XVIII e XVII a.C.), sexto rei da I Dinastia Babilônica, reinou de 1728 a 1686 a.C., aproximadamente, caracterizando-se como verdadeiro criador do Império Babilônico, guerreiro, político e legislador. No início do séc. XVII a.C., o rei Hamurabi enfrentou uma coalizão de helanitas, assírios e outros, quando ocupou a região ao longo do Tigre até a Assíria, apoderou-se de Sarsa e de Mari, conseguindo a unificação da Babilônia Meridional.

Com ele, a Babilônia tornou-se herdeira de toda civilização sumério-acádia. Resgatou-a, respeitando seu enraiza­mento, expandiu-a, deixando nela suas marcas, e fazendo da Babilônia uma grande metrópole espiritual. Fundiu a religião dos semitas e sumérios, sobrepondo as figuras divinas afins. Restaurou os mais importantes templos do país e no palácio real de Mari, por ele terminado, encontrou-se, recentemente, 20 mil tábuas de argila com escrita cuneiforme.

A Hamurabi cabe a coleção de legislação mais antiga que se conhece, monumento jurídico da Antigüidade Oriental, universalmente nomeada como o Código de Hamurabi. Encontrado nas ruínas da acrópole de Su­sa, em 1901, e proveniente do templo do sol, de Ebbara, em Sip­par, o monumento com seu código possui 46 colunas e 3.600 linhas, gravado em uma estrela cilín­drica de basalto negro, onde ele é representado adorando Shamash, o deus Sol, de quem recebe o espírito de eqüidade e justiça, em ato de sub­missão e atenção. Shamash tem em sua mão esquerda um pequeno cetro e um círculo, símbolo do ciclo dos tempos regulado pelo sol e acima dele se desprende dois feixes de luz.

O Código de Hamurabi prescrevia pena idêntica à ofensa praticada, Lei de Talião, numa concepção jurídica inflexível, que lembra a do Antigo Testamento e que se revela como testemunho de sua preocupação pela vida e bem-estar de seus súditos, garantindo a todo homem igual direito à justiça. Abrangiam toda atividade profissional com honorários e punições regidos por lei, como também a conduta de uma pessoa para com a outra, quando especifica que “se um homem destrói os olhos de outro, seu olho deve ser destruído”.
A prática médica recebe 10 pequenas disposições com valores de pagamento e punições por imperícia. Nelas, Hamurabi coloca sua preocupação em harmonizar os costumes, gerando para cada classe social diferentes comprometimentos, “10 moedas de prata para remoção de tumor com faca e curar seus olhos, 5 se for filho de plebeu e, se escravo, o dono pagará 2 moedas”. Com relação às punições, “sua mão deverá ser cortada se o paciente morrer ou ter seus olhos destruídos na remoção de tumor com faca”, ou “se o médico, tratando o escravo de um plebeu com uma faca por um severo ferimento, lhe causar a morte, deverá pagar escravo por escravo.”

A medicina babilônica justapõe os primeiros elementos de uma interpretação científica das doenças aos pro­ce­dimentos mágico-religiosos. Sob o conhecimento empírico ba­bi­­lô­­ni­co, pela primeira vez, começa-se a relevar os sintomas das doen­ças. Porém continuava a prática de conjuração dos demônios, paralelamente à sistematização astronômico-astrológica da medicina. Seus conceitos de astrologia foram usados na medicina greco-romana, arábica e no período medieval. A profissão médica, como a entendemos, não existia e só começará a aparecer no Antigo Egito.

Fonte: Berta Ricardo de Mazzieri é museóloga do Museu Histórico da Faculdade de Medicina da USP.
http://www.cremesp.org.br/revistasermedico/sermedico010203_2002/historia_medicina.htm

18 de maio de 2008

O Nome da Rosa

Para quem leu "Sonho Lendário II" vai lembrar da citação que fiz do livro "O Nome da Rosa", de Umberco Eco.
Para descontrair, segue abaixo a tirinha:


Fonte
www.nonaarte.com.br

15 de maio de 2008

11 de maio de 2008

A doença de Josef Fritzl



Tela: Salvador Dali

O mito de Narciso é conhecido universalmente. De acordo com a lenda, o deus nasceu com uma beleza inigualável e, por causa de uma maldição, apaixonou-se pelo seu próprio reflexo. No entanto, diversas pessoas não vêem ou não percebem que o mito de Narciso ainda está vivo e presente em cada um de nós.
Narciso vem do grego Narkissos, que significa entorpecimento ou torpor, do qual originou a palavra narcótico (entorpecente). O termo Narciso é freqüentemente usado como pejorativo para designar vaidade ou egoísmo. Quando se refere a um grupo social, o conceito narcisismo ou narcisista aparece para se referir a comunidades elitistas, etnocentristas ou que se julgam superiores.
Porém, todos nós estamos procurando constantemente pelo nosso reflexo. Isso inclui a admiração, o reconhecimento pelo que somos e o progresso que construímos. Entretanto, quando esse auto-amor é exagerado, a compaixão pelo outro desaparece.
Narciso ficou louco e morreu. Isso porque seus olhos ficaram presos na sua imagem refletida nas águas e, ao se recusar comer, Narciso se suicidou.
Tal descoberta fez com que vários psiquiatras, psicanalistas e psicólogos utilizassem essas características patológicas de Narciso para designar outros transtornos. Surgindo, então, a Síndrome do Narcisismo Maligno ou Personalidade Perversa.
A estrutura narcisística do psicopata se encaixa perfeitamente com o comportamento do austríaco Josef Fritzl – acusado de prender a filha Elizabeth, durante 24 anos, num porão. Segundo o criminologista e psicólogo Thomas Muller, Fritzl apresenta sintomas típicos de “narcisismo maligno”.
Sem dúvidas, Fritzl foi cruel. E, através de sua eloqüente inteligência, mentiu para o mundo todo sobre o desaparecimento de Elizabeth. Sua criatividade era interminável e a gravidade da situação também. Creio que, para Fritzl, tudo está perdido, pois indivíduos que apresentam essa personalidade não sentem nenhum tipo de culpa, vergonha e arrependimento. Ao contrário, manipulam pessoas com recursos enganosos, procuram excessivamente elogios por parte dos outros e, o principal, os laços de amor entre familiares não existem nesses psicopatas.
Infelizmente, os sintomas de Narciso sempre viverão dentro de cada pessoa. Claro que esse sentimento é ruim, pois através dele que surge o preconceito e o racismo. Quando seguimos apenas nossos reflexos, assim como no mito, nos suicidamos em guerras e excluímos o outro por ser diferente.
Talvez exista alguma esperança, pois a lenda de Narciso dizia que ele era descendente das águas e esta simbologia significa fecundidade e renascimento. Quem sabe, após tal reflexão, possamos renascer para o progresso de um mundo melhor e termos a sabedoria de identificar no outro a importância do seu valor como ser humano.

27 de abril de 2008

Sonho Lendário II

Acordei assustada com o barulho do despertador. Por alguns minutos, refleti sobre esse sonho tão maluco. Eu ainda conseguia ouvir a voz de Zeus e tremia só de lembrar daqueles olhos tão expressivos. Tentei levantar da cama, mas meu corpo estava muito cansado.
Fechei os olhos novamente e, mais uma vez, peguei no sono. Fui voando para o Monte Olimpo. Meu corpo era leve como plumas flutuantes. O pôr-do-sol, na morada dos deuses, era magnífico. Lá estava eu, de novo, me preparando para bater na porta de nuvem. Mas antes disso acontecer, as deusas Estações abriram a porta para se despedir dos deuses. Fiquei triste, pois eu sabia que, sempre no final do dia, os imortais iam embora para suas casas. Alguns moravam na Terra, nas águas ou embaixo do mundo. Acabei desistindo de ir até o palácio. Então, fui caminhar num bosque desconhecido. Desci por uma gruta situada ao lado do promontório de Tenaro e cheguei ao reino do Estige. Esse lugar me recorda um livro muito conhecido, “O nome da rosa”, de Umberto Eco, onde vários assassinatos aconteciam em um mosteiro sombrio e medonho.
Claro que no reino do Estige não havia assassinato, pois a multidão que eu acabara de ver era das trevas. Ou seja, todos eles já estavam mortos. Inúmeros fantasmas vieram me perguntar sobre a vida de várias pessoas que moram na Terra. Mas um espectro, acuado em um canto escuro, me chamou atenção. Reparei que ele possuía um broche com um símbolo nazista.
Homero passou as mãos frias em meus cabelos e sussurrou no meu ouvido dizendo que, aquele no canto, era o Hitler. Nunca pensei em encontrar Hitler no reino de Hades, pois ele sempre afirmava que, quando morresse, iria para o palácio de Valhala. No entanto, só os corajosos guerreiros, mortos em combate, são escolhidos por Odin - na mitologia Nórdica, significa senhor da magia e deus da sabedoria - e, quando selecionados, podem desfrutar dos festins, das bebidas de hidromel, fornecida pela cabra Heidrum e da carne do javali Schrinnir. Pelo jeito, Hitler não teve escolha ou, por assim dizer, não foi escolhido por Odin.
Depois que passei pela multidão de almas, apresentei-me diante do trono de Hades (Plutão) e Prosérpina (Perséfone). Eles fizeram um gesto imperceptível com a cabeça, logo percebi que os deuses estavam hipnotizados com a música de Orfeu. O som da sua lira encantava diversos seres, que se reuniam em torno dele em transe. Nesse momento, todos os fantasmas choraram, o abutre parou de despedaçar o fígado de Prometeu, as filhas de Danaus descansaram do trabalho de carregar água, as faces das Fúrias se umedeceram, Argos fechou seus cem olhos, Sísifo sentou-se em seu rochedo para ouvir a melodia e eu adormeci no meu próprio sonho...

22 de abril de 2008

Sonho Lendário I

Sonhei com um palácio gigantesco. Ele ficava bem no topo do Monte Olimpo. Bati em uma porta de nuvem e várias deusas chamadas de Estações me desejaram boas vindas. Bem no centro do salão, sentado em seu trono, eu vi o rei Zeus. Ele acenava e convidou-me para participar do banquete. Naquele instante, eu era imortal e digna de poderes divinos.
A deusa Hebe, veio sorridente em minha direção e fez um gesto com a bandeja, que continha néctar. Talvez, por curiosidade ou sede, tomei toda a bebida. Sem dúvida, o líquido adocicado era de ótima qualidade. É claro que não deixei de experimentar todas as iguarias.
Os deuses me olhavam torto - devia ser por causa da minha roupa, pois eu estava usando uma calça jeans, a blusa era um pouco decotada e a sandália rosa pink. Percebi que a deusa Minerva me observava e logo fez um gesto com as mãos. Já sabia que ela queria conversar, então, levantei e fui saltitante ao seu encontro.
No entanto, não gostei da crítica que ela fez da minha roupa. Mas, de imediato, compreendi que a deusa estilista confeccionava túnicas e diversas peças dos vestuários de quase todas as deusas.
Deixei ela à vontade e, em questão de segundos, eu estava com uma roupa de seda novinha. Minerva ainda questionava sobre meu modelito, dizendo que o pano do vestido que eu usava era verde com detalhes dourados. Logo essas cores não combinavam com a minha sandália rosa pink. Pensei que ficaria descalça, mas ela me apresentou o Vulcano (Hefesto). O deus aparentava seriedade e era conhecido pelas seguintes profissões: arquiteto, ferreiro, armeiro, construtor de carros, artista de todas as obras do Olimpo e, o principal, ele fazia sandálias de ouro.
As sandálias eram mágicas, ou seja, os imortais poderiam caminhar tranquilamente sobre a água ou ar e se mover de um lado para o outro, com a velocidade do vento ou a força do inconsciente.
Achei estranho caminhar com aquelas sandálias. A Minerva batia palmas de tanta alegria e admiração. Eu me achei feia, mas, por enquanto, deveria me adequar àquela cultura. Voltei para o salão e ouvi a triste história do Rei.
Zeus, pai dos deuses e dos homens, possuía uma expressão serena que brilhava como um poder cósmico. Porém, ele teve uma vida difícil. Seu pai, Saturno (Cronos), e sua mãe, Réia (Ops), pertenciam à raça dos Titãs e surgiram do caos. Saturno era um monstro que devorava os próprios filhos. No entanto, Zeus foi o único que fugiu desse destino.
Já crescido, procurou a deusa Métis (Prudência), cujo poderes medicinais fizeram Saturno vomitar os irmãos de Zeus.
Um sorriso enigmático brotou no canto da boca do Rei. Percebi que ele me olhava esquisito. Bom, eu já tinha lido sobre a sua fama de sedutor e conhecia também a ira e o ciúme possessivo de Hera (Juno). Ainda bem que a deusa não percebeu aquela troca de olhares furtivos...


3 de abril de 2008

Circe, a malvada



Tela: Wright Barker

Circe, a célebre bruxa, desempenha um papel importantíssimo no livro de Homero (Odisséia). A história narra a viagem e as dificuldades que Odisseu (Ulisses) enfrentou antes de regressar para sua ilha Ítaca. E uma de suas paradas foi no palácio da feiticeira Circe, filha do sol.
Sob comando de Ulisses, seus companheiros foram em busca de hospitalidade. Nas redondezas do palácio encontraram diversos animais que, por natureza, deveriam ser selvagens. Mas os leões, tigres e lobos eram tão mansos que pareciam gatinhos indefesos. Não dando importância aos “bichinhos”, os companheiros do herói entraram no palácio. A deusa serviu a todos com bebidas e iguarias. Detalhe: a tripulação de Ulisses não sabia que Circe era feiticeira e tomou um licor encantado. Os corajosos aventureiros foram transformados em porcos. Eurícolo conseguiu fugir da armadilha. Apressou-se em voltar para o navio e relatou aquilo que vira. Ulisses dirigiu-se até o palácio e convenceu a bruxa para que desfizesse todo o feitiço. Logo, o herói trouxe seus soldados de volta para os navios sãos e salvos.
Essa foi à história narrada por Homero, mas o pensador La Fontaine conta uma versão totalmente diferente. Ou seja, através de suas fábulas, o escritor tomou como tema a mitologia clássica e reconstruiu, de modo reiventivo, muitas dessas lendas. E uma delas diz respeito aos companheiros de Ulisses (lenda já citada acima). A diferença é que seus amigos foram metamorfoseados em ursos, leões e lobos. Porém, eles se recusaram voltar à espécie antiga. A explicação de um dos homens que fora transformado em rei das selvas foi a seguinte:

“Perder garras e juba?
Posso com estas presas
A postas reduzir
A quantos temerários
Me ousarem agredir.
Rei sou – voltando a homem,
Também volto a soldado.
Para ser simples vassalo,
Não vão me mudar de estado.”

Ulisses ficou perplexo, mas não desistiu das perguntas. Dirigiu-se ao urso e tentou convencê-lo a voltar sua forma anterior. O urso respondeu irritado:

“Não vês que sou urso!?
Eu tenho o feitio que Deus dar-me quis,
Quem acha dos homens mais bela a figura?
Quem é que da nossa te arvora em juiz?
Oh! Deixe-me; vai-te; prossegue o teu rumo.
Se – sob este aspecto – não gostas de mim
Eu vivo contente, sou livre e não sinto
Tirar-me o sossego, pensão, nem cuidado;
Rejeito a proposta; não mudo de estado.”

Sua última pergunta foi para o lobo. Pediu para que abandonasse a floresta e se despisse da pele nojenta. O lobo respondeu uivando:

“Ai, que vai torta!
Já se viu maçada igual!
Quem és tu, que ousas tratar-me
De carnívoro animal?
Quem deste modo me increpa
Pouparia as ovelhinhas?
Se eu homem fosse, as poupara,
Menos, que as feras daninhas?
Por uma palavra, às vezes,
Não vos matais mutuamente,
Fazendo o papel de lobos,
Perdendo os foros de gente?
Eu penso, por fim de contas,
Que, malvado por malvado,
Melhor é lobo, que gente
Não quero mudar de estado.”

Assim, como na mitologia clássica, o fantástico mundo das fábulas também traz várias lições de moral. Ulisses termina a história frustrado por não ter trazido seus amigos de volta para o estado físico original. Então, ele deixa uma mensagem interessante:

“Torna-se em homens,
Quem diz? Não querem,
Ser sempre fera
Todos preferem
Matar a fome
Seguir o instinto
Vagar das selvas
No labirinto;
Eis as delícias
Da estulta grei
Surda a incentivos
Rebeldia à lei
Julgam ser livres
Nas solidões
Cevando, as soltas,
Brutais paixões.
Curto bestunto
De bichos bravos!
Dos próprios vícios
São mais que escravos.

As fábulas contêm milhares de ensinamentos. Através delas você identifica a cobiça, vaidade, preguiça, mesquinhez, avareza e a corrupção. La Fontaine usa os bichos como protagonistas em seus textos morais.
Na visão satírica do pensador francês, a mensagem deixada pelos companheiros de Ulisses foi que, para eles, é melhor ser bicho. Isso porque os aventureiros temiam perder a força animal que adquiriram com a transformação.
Os soldados sonhavam com a liberdade. Ou seja, sendo senhores da floresta não precisavam mais de se preocupar em pagar pensão, trabalhar ou voltar a ser vassalos.