Andarilhos virtuais...

21 de março de 2009

Circe nas veias!

video

Estralos
nos ouvidos,
corpo
paralisado
e mãos
formigando.

O choque
foi
de repente,
a luz
momentânea
desapareceu
num piscar
de olhos.

Nada grave,
mas o susto
me fez
acreditar
na morte
segurando
meus dedinhos.

O raio
tocou o chão
e acariciou
minhas
células agitadas.

Nada grave,
mas eu gritei
de dor
ilusória.
- Estou bem, já disse!
Mas não me
deixe só
ouvindo
os estralos.

Fique bem
perto e
abrace
meus elétrons
descontrolados.

Não me
deixe aqui
solitária
encolhida no
canto da cama.
Fica comigo,
me protege.

Meu corpo
tremeu até
o dia seguinte...

Nada grave,
mas hoje não
me chamo mais Larissa.
Minha identidade
transita.
Minha vida
metamorfoseia.
Não sou como
antigamente
e aposto
que você também não.

Meu nome
é CIRCE!
Não sei
como explicar,
mas algo
diferente
mexeu nas
minhas veias
e chacoalhou
meu cérebro.

Estralos
nos ouvidos
e lembranças
da minha
infância.
Corpo paralisado
e tempo
acelerado.
Mãos formigando
e choques
latejando.


P.s1: Não sei ao certo se eu levei um chocão, mas no dia 08/03/2009 caiu um raio próximo da minha casa e eu senti 0,5% da potência dessa luz fatal. Ouvi um estralo - na hora eu estava usando um fone de ouvido ligado ao computador -, depois senti meu corpo paralisado, dormência e no outro dia minhas mãos ainda estavam formigando. Ah, então, você me pergunta se foi por isso que eu resolvi mudar de nome? O que tem a ver? Bom, não tem nada a ver. Mas é por outros motivos que resolvi mudar de nome. Gosto da história da Circe e acho que em alguns pontos temos algo parecido. Hum, nunca transformei nenhum homem em porco, mas, assim que eu descobrir a fórmula da poção, vou realizar esse desejo inconsciente.
Para quem ainda não leu, meu amigo Ivair Lima fez um poema sobre essa minha mudança de nome. Confira: Metamorfose andante (Paralelos).
http://circearaujo.blogspot.com/search/label/Metamorfose%20andante

P.s2: Clique no título, aperte o play, veja o vídeo e ouça a música do Megadeth - These Boots (Censored).

4 de março de 2009

Saiu no Jornal



O artigo "Aprenda com Epicuro" foi publicado dia 04/03/2009 no Jornal Diário da Manhã

Leia também no hipertexto: http://circearaujo.blogspot.com/2008/09/la-dolce-vita.html


Metamorfose andante




Paralelos


Era um pontinho sobre a folha verde
Cresceu em forma cilíndrica e tornou-se voraz
Depois se aquietou um tempo em casulo
E súbito: milagre da metamorfose!
Voou belíssima borboleta
Livre para uma existência efêmera.

Larissinha era uma menina linda
Linda, loura e com a cabeça na Grécia
Cresceu em leitura, observação e raciocínio
Nunca se aquietou, farejava mitos e os recriava.
Súbito: milagre da metamorfose!
Adotou o nome Circe e pintou os cabelos de negro
Ficou ainda mais bela, para brilhar por toda a vida...


Agradeço carinhosamente o poema escrito pelo meu grande amigo jornalista Ivair Lima.

1 de março de 2009

Cogumelos dos "deuses"



Se vocês ficaram surpresos com esse título, eu fiquei assustada quando soube que os alimentos divinos dos deuses gregos, ou seja, a ambrosia e o néctar eram simplesmente cogumelos entorpecentes.
É isso mesmo. Segundo o autor, Robert Graves, os deuses e os mortais não se entorpeciam exclusivamente com o vinho e a cerveja feita de hera - planta tóxica que traz graves problemas para a pele como, por exemplo, ulceração intensa. Em rituais bacânticos eles utilizavam tais bebidas para engolir uma droga muito mais forte: a Amanita muscaria, um cogumelo cru que produz alucinações, distúrbios irracionais, visões futuristas, excitações e graus elevados de força muscular.
Robert chegou a essa conclusão quando começou a revisar seu Grande Livro dos Mitos Gregos, em 1958, e percebeu que os centauros (meio homens e meio cavalos) veneravam o deus Dionísio ou Baco, cujo ritual era celebrado nos meses de outono e recebia o nome de ‘Ambrosia’.
Desconfiado, o autor foi em busca de mitos que reforçassem tal afirmação. Ele encontrou a história de Licurgo. A lenda conta que o herói, armado apenas de uma aguilhada, derrotou o exército inteiro de Dionísio ‘que acabara de voltar vitorioso da Índia’- na cabeça do autor essas aspas significam o ápice da sensação do cogumelo. Essa lenda comprovou a teoria de Robert, pois Licurgo aproveitou que o exército estava em absoluta inércia (efeito após o êxtase da droga) para dominá-lo.
A curiosidade das guloseimas ‘divinas’ não para por aí. Para o autor, além da ambrosia ser um cogumelo alucinógeno, o néctar também faz parte dessa receita desvairada. E, além disso, as inicias do néctar e da ambrosia formam a palavra grega ‘cogumelo’.
Robert confessou em seu livro que comeu um cogumelo alucinógeno, o psilócibe (Psilocybe mexicana). Esse cogumelo é uma ambrosia divina e de uso ancestral entre os índios mazatecas da província de Oaxaca, no sul do México.
Ele conta que ouvia as sacerdotisas invocarem Tlaloc, o deus cogumelo, e teve visões transcendentais. O autor diz ainda que o céu e o inferno podem ter sido derivados de mistérios semelhantes aos do êxtase de alguma droga.
A experiência de Robert não deixou dúvidas em sua teoria sobre a alimentação 'divina'. Quando o autor descreve o que sentiu comendo o cogumelo, ele relaciona o fenômeno com os admiradores de Dionísio. Como exemplo, ele destaca que o Tlaloc foi gerado por um raio, da mesma forma que Dionísio. Tlaloc envergava uma coroa em forma de serpente, da mesma maneira do deus Dionísio. O costume selvagem das mênades ou as bacantes, que eram o de arrancar a cabeça de
suas vítimas, também é citado por Robert. Essa mulheres se reuniam a cada dois anos e reverenciavam Dionísio por meio de possessão divina, em seus cortejos enlouquecidos nos altos das montanhas. O autor conta também que esse hábito talvez se refere alegoricamente à separação da cabeça sagrada do cogumelo e não de pessoas ou animais.