Andarilhos virtuais...

20 de dezembro de 2008

História amarga de Eurípides



Em mais de 50 anos de teatro, o pensador grego Eurípides traçou paralelos entre a religião e a frustração psicológica humana. Além de escrever 92 peças, ganhou apenas cinco prêmios, ele foi um exemplo típico de seu pensamento brilhante e incompreendido.

O fato da mitologia ser (ou ter sido) coroada como bobagem é fato consumado. Não há fundamento nas crenças em deuses que foram adorados naquela época. O pensador Eurípides (480 e 406 a.C) observou a religião como um problema coletivo: a mitologia seria uma forma de dominação social, amedrontar pessoas com mitos era o melhor jeito de julgar diversas atitudes insanas e colocar nos ‘eixos’ a moral de cada indivíduo. Eurípides descobriu um conformismo nas crenças mitológicas – e, com recurso independente intelectual, tentou demonstrar que a religião era sempre um pré-requisito para o agnosticismo ativo. Isto é, a doutrina do agnóstico declarava o espírito humano como incompetente para conhecer o absoluto. E, por isso, qualquer coisa inexplicável, guerra ou tragédia eram sempre culpa dos deuses. As peças teatrais de Eurípides enfocam acontecimentos marcados por tensões amorosas violentas, destacando homens e mulheres possuídos por paixões platônicas ou dilacerados por atitudes trágicas. Esse desconcertante paralelo está desenvolvido em Medéia, Hipólito, As Troianas (tradução do grego e apresentação de Mário da Gama Kury), parte de uma coleção da editoria Jorge Zahar Editor Ltda. É uma das obras teatrais mais representativas de Eurípides. Os textos do artista pode ser uma porta de entrada para quem quer ter idéia sobre os mais influentes pensadores antigos. Sua análise crítica sobre o homem trouxe maior aproximação da vida cotidiana do que as obras de Ésquilo e Sófocles.
Eurípides foi o expoente questionador da religião e moral tradicional. Homem barbudo, solitário e insociável. Vivia lendo numa caverna em Salamina, ilha próxima de Atenas, passava dias inteiros sentado, a meditar. Nos olhos de Sócrates, Eurípides era o melhor dramaturgo e nunca iria ao teatro se não tivesse uma de suas peças encenadas. Dignos de um diálogo com alto potencial (para) libertar o homem de seus medos primitivos, os sofistas inspiraram Eurípedes na arte do raciocínio hábil e persuasivo. Esses filósofos desenvolveram no dramaturgo ‘moderno’ o cultivo da macumba profana: a igualdade. A idéia de direitos iguais entre homens, mulheres, escravos, senhores, cidadãos e estrangeiros, que no tempo antigo não existia, fazia parte do seu livre pensamento. Eurípides era classificado como um artista fora do padrão de sua época e, através dessas circunstâncias, se transformou em alvo de zombarias dos poetas cômicos como Aristófanes. No fim da vida, Eurípides viveu na Macedônia na corte do rei Arquelau. As escrituras relatam a morte trágica do pensador. Acidentalmente, ele teria sido despedaçado pelos cães de caça do rei.

12 de outubro de 2008

Bruxaria



Medéia, deusa
das plantas medicinais,
rejuveneceu o pai
de Jasão com um
cálice da poção.

A feiticeira, em
noite de lua cheia,
busca os encantamentos
das estrelas forasteiras.

Elevando-se
em carros guiados
por serpentes voadoras,
Medéia viaja
em busca de plantas
rejuvenecedoras.

Seguidoras de Medéia,
as feiticeiras de
Macbeth montam
um caldeirão com
restos de peles,
orelhas e olhos
de largatos ferventes
para a poção.

Circe também
apoderou-se dessa arte.
Suas ervas mágicas
transformavam homens em
animais dóceis,
como pacas.

Jasão, chefe dos
Argonautas, abandona a
pobre bruxa.
Se apaixona por Créusa,
que é envenenada por
um presente da deusa.

Medéia mata
os próprios filhos
e como se não
bastasse o martírio
incendeia o palácio
dando fim ao regaço.


Larissa Araújo.


Embebida pela fonte de vários poetas como Ovídio, Homero, Ésquilo e Virgílio é impossível não deixar de expor inúmeras façanhas e vinganças que as mulheres dos heróis ou deuses são capazes de cometer quando são abandonadas ou traídas.
Ovídio em seu livro Cartas de amor recolheu diversas histórias mitológicas e deu vozes as mulheres que foram deixadas pelos seus maridos. O poeta apresenta as Heróides, que significa heroínas. As cartas fictícias, escritas em dísticos elegíacos, são de mulheres que amam perdidamente alguém ausente e não se conformam com o destino que tiveram.
No poema Bruxaria, de Larissa Araújo, é fácil perceber a vingança de Medéia com a filha do rei Creonte, Créusa. A bruxa dá um vestido de noiva envenenado para a futura esposa de Jasão. Isso porque Medéia não aceita ser repudiada pelo seu amado.
Além de ter ajudado o herói na conquista do tosão de ouro, ela vai embusca de ervas mágicas para rejuvenecer Esão, pai de Jasão. Antes de sua infidelidade, o herói se dava bem em todas suas aventuras graças aos encantamentos de Medéia. O poema mostra também outras feiticeiras como Circe (história revelada em edições anteriores) e as bruxas do livro de Shakespeare, Macbeth.

11 de outubro de 2008

TORMENTO



Encontrar a razão
em duas almas
apaixonadas
é como caminhar
no labirinto
cretense habitado
pelo temível
Minotauro.

Com um fio de lã,
Ariadne seria
a guia dos escuros
corredores da luz
vã.

Nada se pode fazer
quando os corpos
são paralisados
pelo veneno de Eros.
Imobilizados, os
corações inflam,
abrasam e queimam
afagados.

O novelo de linha
foi rompido
e as duas almas
continuam perdidas
no labirinto.


5 de outubro de 2008

OVIDIANA



Stradono - Penélope Tecendo


As lágrimas
revelam a dor.
Num tiro certeiro,
Eros atinge,
impiedosamente,
meu peito.

A flechada
fez-me sentir
como libélula
que, atraída
pela luz,
roda em torno
das chamas.
E só pode
confessar o
mais profundo
sentimento para
aquele que a
acendeu.

Inspirada em
Penélope,
busco inúmeros
artifícios para
fugir dos
pretendentes.

Em noites
solitárias,
ela cansava
as mãos de
viúva com
a mortalha
inacabada
de Laerte.

Eu, em dias
vazios, busco
o corpo das
palavras
incompletas.
Roubou-lhe
beijos
ludibriados
pelos lábios
invisíveis.

10 de setembro de 2008

Minúsculos guerreiros


Por entre as enormes folhas de bananeiras encontrei uma sociedade de pigmeus. Medindo cerca de treze polegadas, essas criaturas pequeninas são dignas de coragem e valentia de um gigante. Um deles se aproximou e pediu para que eu sentasse do seu lado. Atendi ao pedido e prestei atenção em cada palavra revelada. Tito media um pé de altura, seus olhos amendoados expressavam medo e pânico. O baixinho e seus amigos aventureiros não se acostumavam com esse país desconhecido e diziam que era difícil se adaptar com o clima tropical do Brasil.
Segundo o pequenino, toda a sociedade de pigmeus teve que imigrar para diversos paises. Isso porque seus inimigos, os grous, devastaram grande parte da cidade que se encontrava na nascente do rio Nilo, na Índia. Inúmeros pigmeus foram perseguidos e mortos em batalha sangrenta.
Confesso que eu me divertia com o modo de vida e a cultura dessas diferentes criaturas. Suas casas, edificadas com cascas de ovos, representavam segurança e proteção. Um dos anões quase me atropelou com seu carro puxado por perdizes. Ergui a sobrancelha de tanto espanto, mas depois desatei a rir.
Perguntei para Tito o que de mais corajoso o exército já havia feito. Ele me respondeu que o ato de bravura que repercutiu no mundo inteiro foi quando os soldados atacaram Hércules. No entanto, Hércules riu dos minúsculos guerreiros. Embrulhou alguns dos anões dentro de sua pele de leão e entregou ao rei de Micenas, Euristeus. Uma lágrima despencou dos meus olhos. Tomada por pena e compaixão, convidei todos os pequeninos para morar no meu quarto. Desde então, Tito e seus companheiros vivem confortavelmente em minhas gavetas.

APRENDA COM EPICURO

Tela: Waldemar Curt Freyesleben - paisagem paranaense, 1943

Existem infinitas possibilidades de aproveitar momentos ociosos como deitar na grama de um bosque ou jardim, caminhar tranquilamente pelo parque, dormir em baixo de uma árvore e olhar as nuvens, interpretando suas formas.
Epicuro (341-270 a.C.) também defende o ócio tranqüilo, a conversa agradável com os amigos e os prazeres da leitura. Ele era humilde, calmo, reservado e buscava incansavelmente o prazer e a ataraxia (paz interior). Para o filósofo, os prazeres devem ser evitados, pois o romance caminha de mãos dadas com as amargas decepções.
Nos dias de hoje, o princípio do prazer é interpretado de maneira bem diferente. Ou seja, o epicurismo é sinônimo de hedonismo devasso. Esse estilo de vida é celebrado com orgias, bebidas alcoólicas exageradas, prazer em troca de dinheiro e a gulodice. Erroneamente, o epicurismo moderno ganhou essa explicação que não tem nada a ver com o conceito antigo. O pensador, na verdade, apreciava os prazeres ociosos e não a libertinagem. Ele tinha uma vida calma e contemplativa. Comia e bebia moderadamente.
Epicuro estava certo, pois nada melhor do que explorar o ócio. Não me refiro ao desânimo, a preguiça ou melancolia. Mas, sim, parar pra pensar, observar o mundo, ouvir os pássaros no finalzinho da tarde de domingo e brincar feito criança. Afinal de contas, será que as pessoas da modernidade estão usufruindo e desenvolvendo sabiamente o tempo vago? A resposta pode variar, pois devido ao grande fluxo de informações, entretenimentos e opções de lazer, diversos indivíduos preferem se divertir em bares, boates ou assistindo televisão.
O termo Indústria Cultural, criado por Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer(1895-1973), em meados dos anos 40, mostra claramente que, dia após dia, a sociedade está acorrentada pelas máquinas de abstração. Então, para fugir dessas ferramentas alienantes, adotar o epicurismo intelectual seria o melhor remédio. Essa filosofia antiga de Epicuro nada mais é do que aproveitar o tempo livre e viver a boa vida. Mas, para aplicá-la corretamente, é preciso praticar e tomar gosto pela leitura de bons livros, participar de peças teatrais ou concertos musicais, tornando-se um indivíduo culto, questionador e engajado politicamente. No entanto, nos dias de hoje, acontece o inverso. Ou seja, em horário de lazer, um trabalhador ou um jovem quer esquecer seus problemas sentados em frente à televisão ou navegar horas e horas no mundo virtual. Desta maneira, a Indústria Cultural ganha o poder de dominar e controlar a maioria dos seus cidadãos consumistas.


“Só há um caminho para a felicidade. Não nos preocuparmos com coisas que ultrapassam o poder da nossa vontade”. Epicuro

20 de agosto de 2008

O enigma



Tela: Salvador Dali

Meu silêncio foi guardado durante dois dias. Na manhã seguinte resolvi abrir os ouvidos, se bem que ainda me mantive calada. Claro que havia coisas esquisitas acontecendo. Entretanto, fingi que tudo isso era coisa da minha imaginação. De repente, senti uma mãozinha fria tocando a ponta dos meus dedos e, quando ouvi cada frase pronunciada, um gelo foi rompido do meu peito.
O anão estava sentado do meu lado e cochichava, zombeteiro, sobre a solidão que invadia todo o ambiente:
- O silêncio, às vezes, nos tiraniza. Mas, na verdade, nos encontramos apenas sós e não sozinhos - pronunciou o presunçoso anão.
- Eu me sinto tão sozinha - pensei.
- Eu também tenho dessas coisas, mas logo ali na frente tem um portal. Dizem que para chegar até ele é preciso percorrer um espinhoso caminho. Porém, a solidão não existe nesse lugar e a alegria é eterna - o anão disse todas essas palavras com um leve sorriso aveludado.
De imediato, confesso que o anão parecia um telepata. No entanto, achei melhor não acreditar nisso. Porque é impossível alguém adivinhar com tanta convicção o que passa na cabeça do outro.
- Bom, Jocasta, o que eu tenho a te dizer é que adivinhar os pensamentos não é uma tarefa impossível - afirmou o anão.
Meus olhos se arregalaram de tanto espanto. Então, passei a suspeitar dos meus próprios pensamentos, que procuravam insistentemente me morder.
- Jocasta? De onde você tirou isso? - perguntei enraivecida.
O anão em vez de rir, uivou igual aos cães que acreditam em fantasmas.
Nesse momento, um calafrio medonho percorreu minha pele. O silêncio reinou novamente naquele lugar e o anão desapareceu - como se fosse uma poeirinha cósmica no espaço.
Intrigada, fiquei me perguntando quem seria Jocasta. E uma voz baixinha me respondeu telepaticamente:
- Jocasta era casada com o rei de Tebas, Laio, e mãe de Édipo. Laio recebeu um aviso de um oráculo de que deveria matar seu filho recém-nascido, pois o garoto representava perigo para sua vida e seu trono. Então, o rei entregou a criança para um pastor e ordenou que ele a matasse. No entanto, o pastor, tomado por compaixão, não teve coragem de tirar a vida do pobre menino. Mas, não querendo desobedecer por inteiro a ordem imposta, resolveu amarrar a criança pelos pés deixando-a pendurada num galho de uma árvore. Um camponês encontrou a criança de cabeça para baixo e levou para seus patrões. O casal adotou o menino, que recebeu o nome de Édipo.
Muitos anos depois, Édipo mata seu pai biológico por engano. Isso porque Laio passeava numa estrada muito estreita. Um jovem, que também conduzia um carro, atrapalhava o trajeto do rei. Laio ordenou que aquele estranho se retirasse do meio do caminho. O jovem desobedeceu e o servo do rei matou um dos cavalos do garoto. Furioso, Édipo mata o servo e o rei Laio. Desde então, Édipo se tornou assassino involuntário do próprio pai.
Na cidade de Tebas existia uma criatura horrenda que assustava toda a população. O monstro tinha corpo de leão e cabeça de mulher. Ele aterrorizava todos os viajantes que passavam pelo caminho. A criatura deixaria os viajantes passarem sãos e salvos só se eles decifrassem o enigma.
No entanto, Édipo não se deixou intimidar e aceitou o desafio. Então, a Esfinge sentada no alto do rochedo, perguntou:
- Qual é o animal que de manhã anda com quatro pés, à tarde com dois e a noite com três?
Astuciosamente, Édipo responde:
- É o homem. Ele engatinha na infância, anda ereto na juventude e precisa de bengala para caminhar quando chega a velhice.
A Esfinge ficou tão envergonhada que se matou pulando do alto do rochedo. Como prêmio, a população de Tebas fez de Édipo rei da cidade. E a rainha Jocasta se tornou sua esposa. Depois de alguns anos, Édipo resolve procurar um oráculo que revela o seu duplo crime. Pois além de ter matado involuntariamente seu pai, casou-se com a rainha, tornando-se marido da própria mãe. Quando Jocasta fica sabendo de tal revelação se suicida e Édipo, enlouquecido, arranca os próprios olhos.
Depois de ouvir essa trágica história, minha respiração ficou ofegante. Sozinha encontrei-me de novo e o zumbido do telepata já tinha evaporado. Não consegui desvendar o enigma - como fez Édipo. E a mensagem ilusionista ainda permanece oculta no meu abismo...


9 de agosto de 2008

TEMPORAL




Sopram os ventos frios
nessa noite tempestuosa.
O mensageiro, Hermes,
trouxe boas lembranças.

Muita alegria, amor e afeto
são expressados em
poucas palavras e
a felicidade se esconde
sob a água transparente.

De repente, as nuvens
se tornaram mais escuras
e pesadas. O brilho ficou
opaco e a criatura solitária
busca refúgio na luz das estrelas.

A voz triste
é engolida numa prece
abafando o fragor da tempestade....


20 de julho de 2008

Trágico romance



Tela: Sir John William Waterhouse

O sussurro apaixonado
era ouvido e falado
por dois amantes
enamorados.

Cegos por esse sentimento
Se lamentavam a todo momento
do desejo proibido
que logo fariam julgamento.

Em vez de escolherem
a aurora vital,
optaram pelo crepúsculo
mortal.

Larissa Araújo

O romance dá início quando o outro passa a lhe pertencer inteiramente. Desde então, começamos por enganarmos a nós mesmos e, conseqüentemente, enganamos as pessoas mais próximas. Coisas que eram relativamente simples ganham novas inspirações. Até os sons longínquos dos ventos são capazes de nos comover.
A história de amor nasce quando dois corações batem em um só. As almas apaixonadas se embelezam de tanto afeto. No entanto, por trás de tudo aquilo que é encantador e mágico encontra-se sempre a odiosa tragédia.
A partir de tal revelação, dois jovens chamados de Píramo e Tisbe provam um amor jamais visto. Píramo era o mais belo rapaz e possuía um tímido sorriso – que brincava prazerosamente em seus lábios. Tisbe era a donzela mais linda de toda a Babilônia. Ambos sabiam que um dia a juventude iria desaparecer e com ela a sua beleza. Porém, nada disso aconteceu. O que houve, na verdade, foi à morte prematura.
Cada dia que passava era o mais próximo do terrível drama. Entretanto, eles não desistiam dos preciosos minutos que estavam juntos. Seus pais eram vizinhos e não aceitavam o namoro dos dois. Eles se comunicavam através de sinais ou trocavam olhares furtivos. Ninguém poderia saber desse romance e, por isso, ele se tornava mais intenso. Depois de alguns dias eles descobriram uma brecha na parede que separavam as duas casas. Essa pequena fenda permitia a passagem de suas vozes. Imagine só, quantas juras de amor passaram por essa fenda?
Quando a noite aproximava, os dois amantes apertavam bem forte os lábios contra a parede e, num suspiro, diziam adeus. Assim, era o agonizante amor de Píramo e Tisbe. Porém, eles decidiram se encontrar escondido no meio da noite. Tisbe cobriu a cabeça com um véu e fugiu cautelosamente de seus familiares. Chegando próximo do lugar combinado a ninfa avistou uma leoa e se escondeu atrás de uma gruta. Depois que o felino foi embora a donzela se dirigiu para o bosque e, por descuido, deixou o véu cair.
Atrasado, Píramo chega ao local e vê o véu de sua amada todo ensangüentado. Ele concluiu que Tisbe fora devorada por alguma fera. No auge do desespero, o jovem desembainhou sua espada e desferiu o próprio peito. Tisbe retorna ao local e, quando vê seu amado morto, resolve morrer junto com ele.

13 de julho de 2008

Irmãos siameses: Astros e a mitologia


Os personagens mitológicos não ocupam um lugar estático em nossa herança cultural. Pelo contrário, essas figuras possuem ferramentas poderosas para o conhecimento filosófico, cultural e até mesmo para nossas ânsias mais ocultas.
A mitologia teve tanta influência no mundo que até planetas como Mercúrio, Plutão, Vênus, Marte e dentre outros, receberam nomes de divindades gregas. Por isso que os areógrafos – estudiosos que pesquisam aspectos físicos dos planetas – usaram características externas das figuras mitológicas como inspiração.
Um exemplo é o planeta Marte. Ou seja, esse astro surpreendeu os povos primitivos devido a sua coloração avermelhada. Porém, na mitologia, Marte ou Ares (do grego Aro, matar) representa uma divindade guerreira, cujo símbolo é a união da lança e o escudo. Essa coloração avermelhada do planeta é produzida pelas enormes extensões de solo árido – desertos – que existem em sua superfície (MOURÃO, 1935).
Outra figura mitológica que inspirou os astrônomos foi à deusa Vênus ou Afrodite. Ela simboliza a beleza e o amor. De acordo com os mitos gregos, essa divindade nasceu das espumas do mar e sua representação, para as mentes primitivas, era um círculo e um traço reto. Porém, na Idade Média, o logotipo da deusa passou a ser designado por esse símbolo , que se assemelha a um espelho – instrumento típico utilizado por mulheres vaidosas.
Para os astrônomos, o planeta Vênus é o mais belo de todos os astros. Pois ele é muito luminoso e brilhante no céu, depois, é claro, do Sol e da Lua.
Em certas épocas do ano, Vênus começa a aparecer pela manhã. A partir de tal aparição, o astro é denominado pelo nome de Estrela Matutina ou Estrela D’Alva.
Ao observarmos esse planeta, notamos que Vênus se parece com uma meia-lua ou lua crescente. Segundo ao autor Ronaldo R. de Freitas Mourão, em seu livro de Ouro do Universo, “Vênus é o segundo planeta a partir do Sol, colocado entre Mercúrio e a Terra. Sua órbita é, portanto, inferior à do nosso planeta. Quando Vênus se coloca entre o Sol e a Terra, ela desponta com uma Lua em fase crescente. Mas, ao contrário, quando está do outro lado do sol, parece um pequeno disco muito iluminado ”.
Os principais obstáculos para os trabalhos astronômicos em investigar esse planeta são os excessos de nuvens em sua superfície e a grande proximidade que Vênus tem em relação ao Sol.
A pressão atmosférica desse planeta é totalmente desconhecida. No entanto, mesmo com todas essas dificuldades, os cientistas se interessam, cada vez mais, por esse fascinante planeta.

23 de junho de 2008

FOFOQUEIRAS NÃO, BEM INFORMADAS

Sentadas no banco da praça de uma cidade do interior, três vizinhas aproveitam o finalzinho de domingo para fofocar. Todos ali se conhecem. Porém, as pessoas mais devassas, namoradeiras e cachaceiros são as figuras que mais têm "fama" na pequena cidade.

As línguas afiadas das vizinhas não perdoam ninguém, nem mesmo o coitado do padre. Logo após o padre Pedro ter cumprimentado as três fofoqueiras, a primeira mulher deu um tapinha na perna da outra e começou a comentar:

- Sabe o padre Pedro? Pois é, eu ouvi falar que ele anda freqüentando a casa da Rosalinda.

- Ah, minha nossa senhora isso não pode ser verdade – afirma a segunda vizinha indignada.

- É, eu também ouvi essa conversa – diz a terceira mulher – e ainda me disseram que ele vai na casa dela toda terça e sexta-feira.

- Minha virgem Maria, mãe de Jesus, eu não quero acreditar numa história dessas – diz a segunda fofoqueira.

Rosalinda era a mulher mais mal falada da cidadezinha. Depois que o marido a abandonou ela nunca mais foi a mesma. Todas as noites ela enche a cara e volta para casa sempre acompanhada, só que cada dia com um homem diferente.

As fofoqueiras caíram na risada. No entanto, a terceira mulher, considerada a mais bem informada de toda a redondeza, parou de gargalhar, respirou fundo e disse:

- Me contaram outras coisas sobre essa mulherzinha. Pelo que sei, o prefeito vai na casa dela toda segunda e quinta-feira. E fica lá horas e horas. Já na quarta e no sábado é a vez do borracheiro. Eu acho que no domingo nenhum homem vai visitá-la. Afinal, ela precisa descansar pelo menos uma vez na semana.

A segunda fofoqueira, que fingiu o tempo todo de desentendida, resolveu participar da fofoca:

- Eu não queria falar, mas é que minha língua está coçando...

- Fala! Fala! Fala! – gritaram a primeira e a terceira mulher.

- Tudo bem, tudo bem eu vou falar. É que a Rosalinda teve um filho esses dias – afirma a segunda vizinha.

- Vixe. E quem é o pai? – perguntou a primeira fofoqueira.

- Ninguém sabe. O pior é que fizeram o exame de DNA do padre, do prefeito e do borracheiro, mas nenhum deles são os pais. Porém, o menino se parece com cada um dos três homens.

A terceira vizinha caiu na gaitada e disse:

- Ah, eu sei quem é o pai. É o Tiquim.

- TIQUIM? – perguntou a primeira mulher.

- Sim. TIQUIM de um, TIQUIM de outro...


(Edição especial sobre "Crônicas do cotidiano")


Dia errado

Na verdade o título deveria ser dia do azar. Não acredito em superstições. Porém, em plena segunda-feira, acordei com o pé esquerdo. Tudo deu errado. Eu ainda estava deitada e escutando um barulho distante. O som era de uma galinha desesperada que protegia seu ninho. Achei que era coisa do meu inconsciente ou, talvez, um sonho. Mas era a droga do meu despertador cacarejando no meu ouvido – devo confessar que esse despertador tem um som estranho mesmo. Meus olhos abriram e fecharam lentamente e, por alguns segundos, esqueci do mundo. Sonhei com algodão-doce, viagens, nuvens cor-de-rosa, deuses mitológicos, ninfas, duendes (que pareciam extraterrestres), unicórnios e até gato preto. Quando vi os olhos brilhantes do felino, quase caí da cama. Levantei num salto e fui rodopiando até o banheiro. Meu coração estava à mil por hora e parecia que a casa toda girava.
Puxa! Eu só tinha 13 minutos para me arrumar e não perder o ônibus. Vesti a roupa, não escovei os dentes e muito menos penteie os cabelos. Bom, depois de todo esse esforço consegui abrir o portão e, para minha infelicidade, assisti lá da rua todos os passageiros do ônibus de Nerópolis me mandando tchauzinho. Não queria acreditar, mas eu tinha acabado de perder o ônibus.
Então, já que o coletivo havia passado direto e o próximo só viria daqui meia-hora, fui em casa tirar a remela dos olhos. Nesse momento vários pensamentos ruins rondaram minha cabeça e até desejei o mal para o coitado do motorista. Me arrependi por ter pensado nisso, mas minha vó dizia que, quando sentimos culpa de algo, devemos bater na madeira. E foi exatamente isso que eu fiz – os povos primitivos pagãos também tinham esse costume. Ou seja, para eles as árvores eram a morada dos deuses e, quando alguém batia na madeira, era para invocar as divindades e pedi perdão.
Fui correndo lavar o rosto. E, quando olhei no espelho, minha blusa estava do lado do avesso. Durante alguns minutos de reflexão, senti um medo tremendo dessas superstições e crenças.
No entanto, eu não poderia perder mais tempo. Lavei o rosto e vesti a blusa do lado certo. Finalmente, consegui chegar no ponto de ônibus. Para variar, havia uma companhia não muita agradável naquele lugar. Educadamente, falei bom dia. Ele respondeu fazendo um gesto só com os olhos. Logo percebi que o homem estava bêbado.
- Era só o que me faltava – pensei.
Lá no setor todos chamam ele de Zoim. Então, ele desabafou:
- Sabe, hoje meu dia não começou muito bom.
Eu não estava com a mínima vontade de conversar com um bêbado. Mesmo assim, ele continuou a dialogar:
- Que horas são? É que meu relógio parou.
Vixe. Pensei: dizem que qualquer objeto que não tem mais utilidade e a pessoa continua fazendo uso dessa coisa dá azar.
- São sete e trinta e cinco – respondi.
O ônibus estava atrasado e eu não via a hora de me livrar daquele papo. Porém, Zoim falou decidido:
- A parti de hoje, eu não bebo mais.
Claro que eu fiquei com pena, pois todos que o conhecem sabem que ele é um alcoólatra e várias vezes seus familiares tentaram interná-lo. Entretanto, nada disso adiantou.
- Lá vem o ônibus – Zoim resmungou.
- Graças a Deus – pensei.
O coletivo estava entupido de tanta gente. Me senti como uma sardinha enlatada. Mas tudo bem. Pelo menos eu chegaria a tempo no trabalho. Detalhe: atrasei dez minutos. Por causa desses míseros minutos, o porteiro não me deixou entrar. Se ele soubesse a dificuldade que enfrentei, com certeza, ele sentiria pena. Claro que eu sabia dos quinze minutos de tolerância. Mas, segundo o porteiro, as regras da empresa mudaram. E, quase chorando, perguntei:
- O que vou fazer agora?
Então, o porteiro respondeu:
- Ué, você pode voltar amanhã.


(Edição especial sobre "Crônicas do cotidiano")


26 de maio de 2008

Aurora musical


Os deuses imortais
cantam alegremente.
Pássaros exaltam os sons
dos acordes celestiais.

Diversos seres
dançam suavemente
E todo universo se envolve
com o ritmo das notas musicais.

Larissa Araújo

Antes de mergulharmos na história mitológica da música, é importante ressaltar que vários pensadores gregos, como Pitágoras, construíram teorias mais convincentes do que qualquer outro povo da Antiguidade.
No século VI a.C, o grego Pitágoras imaginava que a música e a Matemática fornecia a chave mágica que poderia abrir o cadeado secreto do mundo.
Sua teoria era que diversos planetas e até mesmo o universo cantavam. Porém, cada um com tons harmônicos diferentes.
Pitágoras criou o monocórdio (corda única) para determinar, através da matemática, as relações dos sons.
No entanto, para a mitologia, a história da música começou com a morte dos Titãs. Ou seja, após a vitória dos deuses do Olimpo sobre Saturno, Oceano, Hipérion, Iapeto, Ofíon, Têmis, Mnemósine, Eurínome e Réia foi sugerido a Zeus que criasse deuses capazes de cantar divinamente a glória dos Olímpicos.
Então, Zeus apoderou-se da bela Mnemósine, deusa da memória, e teve com ela nove filhas. Nasceram, no devido tempo, as nove musas: Calíope (musa da poesia épica), Clio (da história), Euterpe (da poesia lírica), Melpômene (da tragédia), Tersícore (da dança e do canto), Érato (da poesia erótica), Polínia (da poesia sacro), Urânia (da astronomia) e Talio (da comédia).
As nove musas alegravam os festejos do Monte Parnaso, na Fócida, e cantavam com Apolo - deus da música.
Entretanto, existem vários deuses que também fazem parte da história da música como Museo, filho de Eumolpo, a lenda diz que quando o deus tocava ele consegui curar doenças. Outro músico de destaque é o deus Orfeu, filho da musa Calíope e Apolo, além de músico era cantor e poeta. Por fim, Anfíon era um magnífico poeta e músico - filho de Zeus e de Antíope - o deus construiu os muros de Tebas e, segundo as fábulas, quando as pedras ouviam o som da lira se moviam sozinhas.